Essa historia me foi contada há muitos anos por alguém muito
mais sábio que eu.
Conto agora a você .
Há milênios passados, existia um local que era chamado de
pais das argilas. Lá viviam as mais puras de belas argilas de todo universo. Um
dia, um ser humano chegou a esse local e com uma enxada retirou um belo pedaço
do barro, jogou em seu balaio e tranquilamente iniciou seu retorno até sua
casa. Enquanto caminhava, ouviu vindo do balaio uma voz que dizia:
- O que se passa, quem é esse que fez tal agressão? Por que fez
isso?
-Eu vivia feliz com minhas irmãs argilas, em nosso mundo tranqüilo,
e vem esse aí, e com brutalidade, me arranca da mãe terra e me joga em um cesto, sem qualquer consideração !
O Homem, ouviu, mas nada disse, simplesmente seguiu seu
caminho.
Na manhã seguinte, logo ao romper da aurora, ele pegou a
argila, jogou sobre uma bancada, jogou-lhe água fria e iniciou o trabalho de
torná-la uniforme. Amassou, bateu, tornou a colocar água, tornou a amassar, bater,
até chegar a textura que ele achou ideal.
Enquanto fazia isso, ouvia
a mesma voz:
- Ei, pare!, Não faz isso comigo. Não vê que sofro em tuas mãos calejadas?
- Ei, pare!, Não faz isso comigo. Não vê que sofro em tuas mãos calejadas?
Mais uma vez, ele ignorou. Depois de achar de seu agrado, largou
mais uma vez a um canto e foi almoçar.
Passado o repouso, retomou a argila e jogou-a sobre uma roda
de torno, e com ajuda dos pés no embalo iniciou seu trabalho. E mais uma vez
ouviu a voz:
_ Estou tonta. Para!
_ Estou tonta. Para!
Mais uma vez ele não respondeu.
Quando se deu por satisfeito, colocou o produto do trabalho
em uma prateleira e ali deixou para passar a noite. Ouviu choros, resmungos lamentos. Virou-se
para o lado e dormiu.
Na manhã seguinte, mais uma vez ao romper do dia,
levantou-se, foi a prateleira, olhou para a argila, que ainda choramingava, e
se foi, sem nada dizer.
A argila, por sua vez, viu aquilo e começou a pensar:
Que será que houve? – Hoje ele nem me tocou? – Que foi isso?
Pela hora do almoço, o homem voltou trazendo nas costas
várias achas de lenha. Empilhou-as sob o forno, colocou fogo e foi almoçar.
Depois do repouso, pegou a argila, que estranhamente sentiu
algo diferente que não soube identificar e estranhou, mas o Homem, sem uma palavra,
colocou no forno e fechou a porta.
- TIRE-ME DAQUI, ESTÁ QUENTE, NÃO VOU SUPORTAR!, ouvia a voz
vinda do forno.
E mais uma vez nada falou.
Ficou sem dormir a
noite inteira, alimentando o fogo e ouvindo as lamentações, mas sem se
importar, continuava seu labor.
Pela metade da manhã do dia seguinte, já exausto, e com o
forno em repouso, tirou-a colocou na prateleira, mas dessa vez ao ar livre,e
foi descansar.
Ela, depois de um tempo, começou a apreciar o frescor da
brisa que lhe afagava, o aroma das flores, o cantar dos pássaros, e pensou
consigo mesma:
- Ele não deve ser tão ruim, está certo deu me fez sofrer com o calor infernal, mas deixou-me aqui para que eu me refaça e aprecie a paisagem, quem sabe, essa foi a última de minhas penas........
- Ele não deve ser tão ruim, está certo deu me fez sofrer com o calor infernal, mas deixou-me aqui para que eu me refaça e aprecie a paisagem, quem sabe, essa foi a última de minhas penas........
No dia seguinte, mais uma vez ao romper do dia, ele pegou-a,
e iniciou um processo que ela não entendia. Esfregava sua pele com panos
abrasivos, que lhe provocavam desconforto, machucavam a pele, e ela reclamou,
não tanto, nem tão alto, mas reclamou, afinal que era isso se comprado ao que já
tinha passado.
Terminada essa etapa, ele pegou algo, e iniciou com toques leves e delicados de algo que ela
não conhecia, a espalhar sobre sua pele um liquido de odor forte, mas que, em
virtude da abrasão anterior, refrescava. E, em duvida, ela se calou, pois não
sabia reclamava pelo odor, ou apreciava
a delicadeza do toque e o frescor do líquido.
Terminado o trabalho, mais uma vez ele ateou fogo na lenha,
e colocou-a, desta vez gentilmente no forno. E foi dormir, deixando-a só.
Ela nada disse. Nada falou, nada pensou.
Na manhã seguinte, ele pegou com imenso carinho e cuidado,
colocou-a sobre a bancada, e depois e examiná-la atentamente, abriu pela
primeira vez um sorriso.
E isso foi para ela, mais intenso que o brilho do sol.
Ele pegou-a, colocou em destaque sobre uma prateleira,
apanhou um espelho, e pela primeira vez, deixou que ela se admirasse.
Nem ela acreditou no que via. A imagem refletia a mais bela,
mais pura e perfeita xícara da mais nobre porcelana que o mundo já vira. Suas formas
delicadas, as curvas perfeitas os desenhos delicados e perfeitos, contribuíam
em tal harmonia para o conjunto, que, neste momento, ambos choraram.
Ela, pela primeira vez, ergueu a voz em gratidão, por tudo
que ele tinha feito por ela. Pelas dores do amassar o barro, pelo rodar que lhe deu o contorno, pelo calor do
fogo que a cozeu, pelo odor da tinta que a ornava, e pela delicadeza do
acabamento.
Você que aqui chega, quer ser submissa?
Pois primeiro seja a argila, e esteja disposta a sofrer tua
metamorfose.
Não existe o lado glamoroso da submissão, sem haver o lado abnegado
da mesma.
Isso é uma verdade!

Nós, submissas, somos a argila e vocês dominadores os oleiros.Bela reflexão.Quando li o título, imaginei isso mesmo: moldar algo.
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